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Inovação
5 barreiras que impedem sua empresa de inovar de verdade

Falar sobre inovação parece sempre algo lindo e mágico. Mas precisamos falar também sobre o quanto nem sempre é fácil inovar. Existem diversas lacunas que impedem a inovação de acontecer nas empresas, todos os dias. Apesar de estarmos assistindo à transformações capazes de destronar organizações consolidadas em pouco tempo, nem sempre conseguimos caminhar e fazer algo novo acontecer. Sem criatividade não há inovação, mas o problema vai muito além disso. Ter ideias é, de longe, o ponto menos doloroso do processo.

A inovação costuma ser um processo desordenado, que não é nada fácil de gerir e de mensurar. Infelizmente, há empresas que só pensam em inovar quando as receitas e os lucros declinam e muitos executivos chegam a pensar que nem é importante pensar nisso. Inovar não está relacionado apenas com tecnologia. As empresas mais inovadoras do mundo, de acordo com o Boston Consulting Group, tem maiores notas em relação a seus produtos, experiência do cliente, modelo de negócios e processos.

Em muitas empresas é comum que apenas o departamento de P&D tenha a responsabilidade de inovar, enquanto outros departamentos ficam completamente alheios ou até ajudam a barrar as novidades. Continuar acreditando nisso sem fazer nada para mudar representa um grande risco para o negócio. Conheça quais são as barreiras que impedem organizações de inovar:

Entender o que é realmente inovar

Para muita gente inovação só acontece quando se trata de algo revolucionário, radical, “disruptivo” como temos ouvido falar recentemente. Estamos acostumados a valorizar ou querer levar adianta apenas as manchetes que falam dos grandes feitos produzidos pelas empresas e achamos que apenas aquilo é uma inovação real. Então, passamos a achar, com o tempo, que para ser inovação precisamos estar diante de algo que deixa todo mundo de boca aberta ou que muda completamente as regras de um mercado, mexendo completamente com ele. Este é um grande perigo quando falamos em inovação. Entrar nessa onda pode fazer com que um negócio entre na neura de buscar continuamente a inovação pela inovação e que sua única meta seja lançar uma atrás da outra. E isso é perigoso porque existe um grande investimento para acontecer, de dinheiro, de tempo. E porque a solução real para o negócio nem sempre passa por isso.

É bem comum que repentinamente empresas queiram dar ordens a seus funcionários para que comecem a inovar incentivando-os a serem mais criativos e que assim criem produtos incríveis capazes de mudar tudo. Cria-se então um ambiente de competição e cheio de pressão, as pessoas perdem a cabeça pensando em soluções milagrosas capazes de torna-las deusas salvadoras do negócio e podem se esquecer dos pequenos detalhes que importam, que realmente trariam valor ao negócio e ao cliente. Além disso, ao acreditarem que precisam lançar uma inovação radical, podem se sentir correndo um enorme risco ao contar suas ideias e ai o contrário acaba acontecendo, as pessoas se fecham.

Mais do que querer criar a próxima disrupção do mercado, precisamos querer entregar solução. E, para isso, a inovação gradual pode ser a saída, o necessário, o que fará do negócio algo sustentável de verdade.

Empresas e funcionários que se focam apenas nas grandes inovações se afastam da criação de uma cultura de inovação, que é o que as ajudaria a produzir e entregar, continuamente, inovações menores e incrementais, tão ou mais boas que as grandes inovações.

Até mesmo para se chegar a uma inovação maior é preciso apostar nas menores, a partir delas é que podemos escalar e criar coisas maiores. E o conjunto de várias pequenas inovações pode significar um pacote valoroso.

Responsabilidades atribuídas de modo errado

Ao falar em inovar na empresa é comum que o departamento de P&D seja logo apontado. Além dele, o departamento de marketing também. O problema é que nem sempre a inovação virá, necessariamente deles. Não precisa ser assim. Outro problema é que ocorrem casos em que P&D e marketing não se falam, são desunidos, incapazes de unir forças para trabalharem juntos. Aliás, ao receber uma missão destas, nem sempre o marketing estará pronto, isso porque ele precisa continuar cuidando das ações cotidianas pelas quais já é responsável. Outro ponto importante é que o marketing pode não ser familiarizado com a inovação, pode acontecer de seu foco ser apenas o da continuidade das ações já criadas.

Um problema frequente é que as vezes a inovação não tem um dono, ninguém responsável. Então, não existe nenhum tipo de gerenciamento, de gestão da inovação e ela fica perdida, para lá e para cá, passeando sem metas pela empresa.

Por que apenas P&D e marketing precisam inovar? Quem é que disse que outros departamentos, como RH e administração não precisam se mexer? Se a missão de inovar for apenas desta ou daquela equipe, nenhuma empresa irá a lugar algum. Tampouco se a alta direção não estiver envolvida e colaborando.

Ter uma pessoa responsável pela inovação na empresa é essencial. Isso não significa que todas as ideias e ações sairão daquela única mente, mas que existirá uma pessoa responsável por dirigir o processo e fazer as coisas caminharem. Esse “head de inovação” pode, por exemplo, dar uma visão panorâmica da inovação na empresa e conectará pontos o tempo todo. Inovar não pode ser sinônimo de caos, pelo contrário, não vai funcionar se for uma grande bagunça, é preciso existir papeis, processos, níveis de responsabilidades, inclusive. Sem isso, nada se materializa,

Inovação não significa ser criativo

Achar que para inovar basta ser criativo é outra barreira para as empresas. Um artigo publicado na Harvard Business Review por Theodore Levitt explica como a criatividade que não está ligada à gestão correta da inovação pode ser fatal para um negócio. Isso porque criatividade ou novas tecnologias, por si só, não são suficientes. É preciso ter alguém cuidando do processo.

Há empresas cheias de mentes criativas que não conseguem inovar. E muitas delas acabam investindo errado, achando que apostar na criatividade é o caminho para que a inovação aconteça. Não saber o que fazer com todas essas ideias é também contraproducente, principalmente quando existe alguém que as aceita ou rejeita, de cima de um pedestal.

Para que as empresas inovem é preciso ter objetivos claros, dessa forma podem ser criadas metas e processos para alcançar o que a empresa se propõe a conseguir.

Falta de coordenação entre departamentos

Para que uma empresa inove é preciso criar fluxos de informação e espaços que permitam a colaboração entre pessoas.

Há empresas em que a criatividade está muito associada a este ou aquele departamento e ocorre um isolamento de quem está trabalhando com inovação. Em outras, a coordenação da inovação é vertical e apenas os altos cargos definem os próximos passos. Ou o contrário, sequer sabem que alguém está tentando inovar e logo tratará de barrar os esforços, deixando os envolvidos frustrados.

Não ter foco no cliente

Para saber se o que está sendo criado é mesmo uma inovação, pense no cliente. A inovação em questão oferece maior valor para o cliente? Não podemos perder o foco nele, porque quem será impactado pela inovação será também ele. Observá-lo pode trazer ideias que façam sentido e que sejam apreciadas pelo público. Brainstormings, pesquisa de campo e design thinking são excelentes para ajudar a criar empatia e entender o que é bom para o cliente. Sair à rua e estar perto dele, de verdade, traz respostas ainda melhores.

Esses 5 barreiras podem estar impedindo sua organização de inovar. Traçar um plano para trabalhar estes aspectos é essencial antes de começar; 😉

Flávia Gamonar
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