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8 formas de pensar o modelo de monetização de um aplicativo

Quando estou dando aula ou palestrando sobre temas ligados a empreendedorismo ou desenvolvimento de produtos gosto de dedicar um tempo falando sobre como pensar o modelo de negócios. Ou seja, pensar como o que está sendo planejado cria, entrega e captura valor. É preciso pensar quem é o público, qual a proposta de valor que se oferece a ele, quais são os recursos, atividades e parceiros necessários, o que gera custo e de onde vem a receita. Ou seja, como é que aquilo se torna sustentável, rentável, como aquilo pode gerar dinheiro.

Com alguma frequência vejo ideias superinteressantes, mas que muitas vezes não foram bem planejadas em relação à geração de receita. Ouço, na maioria das vezes, algo como “vamos colocar um banner, vender publicidade”. Mas a verdade é que existem várias outras formas de ganhar dinheiro e construir um aplicativo pensando apenas na possibilidade da inserção da publicidade é se limitar. Veja a seguir 8 formas de pensar a monetização de aplicativos.

1.   Quando o app é apenas o meio

Algumas vezes o aplicativo é apenas o meio de se chegar ao serviço oferecido. Isso acontece, por exemplo, no Uber e no Quinto Andar, usados (respectivamente) para chamar um carro particular e alugar apartamentos e casas. Neste caso a plataforma é a grande sacada, porque é ela quem garante a intermediação, a segurança, as avaliações e o meio de pagamento.

Quando o app é o meio é preciso que a instalação realmente faça sentido, afinal, as pessoas costumam apagar os apps que quase não usam para liberar espaço no smartphone. Além disso, o próprio modelo de negócios precisa ser muito bem pensado, porque se o app for o meio, mas o usuário encontrar uma forma de não usá-lo da próxima vez, seu negócio sai perdendo. Um exemplo? É preciso ter o app do Uber para pedir um carro, não basta ter o contato de um motorista para chamá-lo da próxima vez, porque a sacada do aplicativo está justamente em buscar o motorista mais próximo, fazer a transação por ali e também permitir avaliar o motorista.

2.   In-app purchase: compras no aplicativo

Modelo geralmente usado por empresas que vendem produtos por meio de seus aplicativos nativos próprios, como as lojas virtuais. Eles oferecem uma experiência ou benefícios diferentes do que o browser oferece.

Pode ainda servir para comprar produtos completamente virtuais, como vidas extras em um jogo, serviços específicos, personalização, entre outros. O Pokemon Go oferece a compra de novas ferramentas para caçar os monstrinhos.

3.   Cobrança por download

Uma forma de gerar receita com um aplicativo é cobrando por seu download. Neste caso paga-se uma taxa única se as pessoas quiserem utilizá-lo. Ou seja, não é nem mesmo possível baixá-lo sem pagar por ele. Para isso, ele precisa estar uma loja de aplicativos, como a Apple Store ou a Play Store, do Google. Usando a conta cadastrada e o cartão de crédito vinculado, o usuário pagará para poder baixar e usar o aplicativo. Neste caso, geralmente cobra-se um valor uma única vez.

Esse tipo de cobrança costuma ser típico de jogos ou utilitários que oferecem serviços exclusivos, como edição de fotos ou hospedagem de arquivos.

Perceba que aqui é essencial que as avaliações do aplicativo sejam, em sua maioria, positivas, pois é isso que vai influenciar a decisão de compra. Além disso, o marketing do aplicativo também precisa ser bom, mostrando telas e funcionalidades que o usuário vai encontrar ao comprá-lo.

Não se pode esquecer de fazer a gestão desse aplicativo, provendo melhorias e consertando erros. Oferecer algum tipo de suporte ao usuário também é importante, pois pode ser necessário existir uma forma de reportar um erro, por exemplo.

Infelizmente, existem formas de burlar o pagamento de aplicativos e muita gente consegue baixá-los sem pagar nada.

4.   Modelo freemium

Neste modelo uma versão gratuita é oferecida aos usuários, assim eles podem baixá-lo para testar e se quiserem acesso a mais recursos poderão pagar por uma versão premium.

Geralmente, cobra-se uma taxa única ou mesmo uma assinatura e normalmente essas transações ocorrem for a da loja de aplicativos, em um site próprio do produto, que mostra as opções de assinaturas. Para isso é preciso que o usuário crie uma conta dentro dele.

Quando o modelo está baseado em assinatura é essencial que o aplicativo seja realmente útil, ofereça suporte e lance novidades, para garantir que o usuário queira renovar o serviço. Além disso, incentivar o uso é importante, quanto mais o usuário perceber que é algo útil e descobrir formas de usar recursos que ainda não usou, mais fiel será.

É importante saber que uma porcentagem pequena de pessoas assina uma versão premium de um aplicativo. Geralmente, em torno de 10%. Por isso, ao conceber seu modelo de negócios procure não fazer previsões de faturamento acreditando que todos ou uma grande parte dos usuários pagarão por mais recursos.

Outra preocupação importante é sobre os recursos que serão oferecidos. É bastante frustrante quando o usuário pode usar a ferramenta de forma gratuita, mas descobre que ao tentar salvar algo que criou dentro dela, o aplicativo não permite. Ou seja, procure limitar recursos sem prejudicar a experiência, caso contrário tudo que seu aplicativo vai conseguir gerar no usuário é raiva.

Um bom exemplo de como oferecer uma versão premium é a que o Canva.com oferece. Nesse aplicativo/site você tem diversos templates de artes de todos os tipos e pode facilmente customizá-las usando imagens, fontes, formas geométricas, entre outros. A versão premium oferece acesso a mais templates e imagens, além de uma ferramenta que eles chamam de redimensionamento mágico, que transforma uma arte criada em dimensões diferentes sem que o usuário precise reformular tudo manualmente. Percebe como aqui o modelo foi bem pensado para não prejudicar a experiência?

No modelo freemium o objetivo é engajar os usuários para que eles se tornem dispostos a pagar por mais recursos. Por isso, é essencial que a versão gratuita funcione muuuito bem. Fazer campanhas de marketing vai ajudar bastante a converter quem ainda não é assinante da versão premium, mostrando os benefícios dessa mudança de versão.

5.   Modelo baseado em Paywall

Ou seja, “pague para passar”. Você já deve ter visto, costuma estar presente em jornais, que limitam a quantidade de notícias que você pode ver sem ser assinante. Se quiser ver mais, acima do número estipulado, será preciso pagar. E podem existir diversas formas de pagamento: assinatura, por dia, por quantidade de conteúdo.

6. Monetização com publicidade ou uso de dados

Aqui a receita vem de anúncios dentro do aplicativo, que podem ser banners de empresas que pagaram para o criador do aplicativo para aparecer nele. Eles podem incluir imagens, vídeos, texto e links para outros sites, mas podem acabar estragando a experiência do usuário.

O lado positivo é não precisar cobrar por download ou assinatura, mas o desafio estará em conseguir e manter anunciantes regulares. Esse modelo geralmente é usado para acumular uma base grande de usuários. E obviamente, esses dados serão usados de alguma forma, com alguma segmentação, seja pelo próprio criador do aplicativo ou por terceiros.

Um exemplo comum é o Facebook, o usuário em massa não paga nada para usar a rede social, mas vê publicidade e concorda em ceder muitos de seus dados ao Facebook, que podem usá-los para direcionar anúncios e outras coisas mais.

Já percebeu que o Whatsapp não cobra nada nem usa publicidade? Fica aqui a reflexão sobre como ele é monetizado… (dados, e o quê mais?).

7.  Monetização de aplicativos por patrocínio

Aqui é preciso ter parcerias com anunciantes que oferecem recompensas caso o usuário complete determinadas ações dentro do aplicativo. Marcas, agências e empresas pagam para fazer parte do modelo e o criador do aplicativo gera receita a partir dessas interações, geralmente uma porcentagem delas.

Um exemplo é o RunKeeper, que usa publicidade para motivar seus usuários a rastrear suas atividades para desbloquear recompensas e promoções exclusivas. Esta estratégia permite que o RunKeeper monetize seu aplicativo sem interromper a experiência do aplicativo com banners.

8. Modelos misturados

Existem ainda modelos que misturam várias formas de monetização. Eles podem ser freemium com anúncios ou oferecer uma versão paga sem anúncios.

Comece a analisar como os aplicativos cobram antes de pensar o modelo do seu. Netflix, por exemplo, oferece acesso a um serviço mensal, ou seja, se o usuário deixar de pagar não poderá mais assistir vídeos. Já o Google Play, permite fazer listas e categorias de suas músicas preferidas, mas se o usuário não renovar em determinado mês, perde as listas que já configurou antes, o que gera uma frustração, incentivando o uso do aplicativo.

Antes mesmo de pensar a forma de cobrança, pense se o seu modelo de negócios está claro e consistente. Se o aplicativo for inútil ou oferecer uma experiência ruim, ele será o primeiro a ser deletado quando o usuário ficar sem espaço no aparelho. Ou vai encontrar formas de burlar o uso e falar direto com quem interessa, deixando de usar o aplicativo e de gerar porcentagens, quando o modelo está baseado nesta forma de monetização.

Mecanismos de precificação

Além dos modelos apresentados podem existir outros mecanismos associados, que não necessariamente tem a ver com a forma de monetização do aplicativo em si, mas do negócio. No Uber, por exemplo, temos um mecanismo baseado em mercado em tempo real, no qual o preço é estabelecido dinamicamente, com base na oferta e na demanda. Ou seja, uma corrida por ficar mais cara ou mais barata dependendo de diversos fatores, dentre eles, o número de motoristas na rua naquele momento.

Antes de lançar um aplicativo pense certinho como será o modelo de monetização. Decidir isso logo cedo é importante, visto que a forma de desenvolver seu aplicativo pode depender dessa decisão para projetá-lo da forma mais adequada.

Flávia Gamonar
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