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Marketing de conteúdo
Como fazer marketing para negócios sérios ou chatos

Quando falamos em marketing vamos logo pensando em negócios extremamente motivadores e emocionantes, que permitem gerar lindos vídeos, fotos incríveis e textos deliciosos de ler, que interessam a muita gente.

Mas nem todo negócio é assim, fascinante. Existem alguns mais sérios ou menos empolgantes. Parece sempre mais difícil fazer marketing para uma desentupidora de esgotos, para alguém que vende aço, fios elétricos ou para um cemitério. Mas acredite, é possível.

Mesmo os negócios com potencial para um marketing incrivelmente chamativo, o que infelizmente ainda se vê são postagens baseadas em citar o produto ou serviço de forma explícita, com frases cansativas que não passam de promessas. Quem vende um produto sempre vai posicioná-lo como sendo o melhor, isso parece óbvio. Então, porque continuar fazendo posts que afirmam que seu produto é incrível, se o consumidor não vai acreditar?

Citando o exemplo de cosméticos, por exemplo, lojas que inseriram espaços para resenhas de consumidoras viram suas vendas aumentar, isso acontece porque na internet preferimos acreditar na opinião de um estranho que testou um produto a acreditar no próprio texto disponibilizado pela loja, que certamente vai dizer coisas como “tenha fios lisos e hidratados desde a primeira lavagem”. Mas o que as consumidoras querem ler mesmo, são comentários do tipo “realmente, funcionou, a máscara é bem grossa e cheirosa, deixou meus fios sob controle e hidratados” ou ainda “pior produto que já comprei, deixou meu cabelo opaco e duro”.

O Cemitério que transformou a morte em um assunto divertido

O Cemitério Jardim da Ressurreição em Teresina. Em poucos meses a página no Facebook cresceu ao ponto de chegar a 19 mil curtidas e posts que passam facilmente dos mil comentários e centenas de compartilhamentos, comprovando o engajamento. Há fãs da página que chegam a dizer que ter vontade de morrer só para ser enterrado lá (brincando, é claro).

cemi

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E o cemitério tem até apelido, é carinhosamente chamado de Cemi pelos seguidores. Virou um personagem e conseguiu tornar a morte, um assunto tão triste, em algo no mínimo, chamativo.

De acordo com o administrador da página, por mês são 2 mil novos seguidores, a maioria de outros estados, e SP é o estado que lidera. Inicialmente os posts eram basicamente mensagens otimistas, mas eles percebiam que havia pouca interação. Então mudaram a abordagem.

No caso da página do Cemitério fica claro que não existem posts que falem de seus serviços de forma explícita, mas ao trabalhar conteúdos engraçados e criativos, que se tornam esperados pelos seguidores fãs, a marca está sendo divulgada e se fixando na mente deles. Quem é que vão procurar quando um imprevisto acontecer e precisarem do serviço? A marca mais lembrada, com certeza. O administrador da página completa “nosso objetivo com a página é desmitificar o tema da morte e  gerar lembrança de marca”.

A Prefeitura que deixou de lado o tom formal dos posts

Qualquer profissional de marketing atualizado conhece ou segue a página daPrefeitura de Curitiba no Facebook. Atualmente são 779 mil seguidores que acompanham posts escritos de modo informal, carinhas felizes e corações, vídeos com músicas seguidos de um “Boa noite, Curitiba”, pequenas reportagens e links sobre o que acontece na cidade e até memes.  Ao invés de escreverem algo clichê e formal como “prezados munícipes”, trataram de se referir ao leitor lembrando que ele é um ser humano antes de tudo, que certamente vai gostar de ler algo leve e mais pessoal.

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O software para captura de notas fiscais que apostou nos memes

Assuntos relacionados à área fiscal tributária são sempre técnicos e mais sérios. Quem é responsável por cuidar dos documentos fiscais das empresas geralmente vive uma rotina baseada em pedir XML´s de notas fiscais eletrônicas aos fornecedores, que precisam enviá-las por e-mail para que a escrituração fiscal da empresa esteja organizada. Mas um problema frequente entre estes profissionais é que nem sempre os fornecedores enviam esses arquivos, o que gerou a oportunidade de abordar este cenário de uma forma divertida.

O Sped Controle passou a apostar nos memes e viu um crescimento no número de seguidores e engajamento. Os posts chegam a ser comentado e compartilhado dezenas de vezes e os profissionais da área se identificam com estas postagens.

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O médico que investe tempo ajudando sem ganhar nada em troca

Outro dia eu escutei de uma nutricionista que ela estava cansada de receber perguntas de pessoas que não queriam pagar por uma consulta e que não havia estudado para trabalhar de graça. Preferi não comentar nada porque ela parecia bem brava, mas a verdade é que é justamente o oposto. Se ela se dedicasse a um blog ou página no Facebook ou LinkedIn, por exemplo, poderia escrever conteúdos respondendo à perguntas frequentes, sem realizar consultas a distância, claro e respeitando seu conselho. Mas ao disponibiliza esta informação ela conseguiria mostrar-se como alguém confiável e simpática e certamente teria mais pacientes.

Um cirurgião plástico, por exemplo, apesar de precisar respeitar seu conselho e de ter diversas restrições em relação a marketing, pode tranquilamente disponibilizar conteúdos educativos, que falem, por exemplo, sobre cuidados pré-operatórios que pipocam na mente das pacientes que estão prestes a operar.

Dr.Victor Sorrentino virou praticamente uma celebridade no Facebook, Instagram, Snapchat e em seu blog. Diariamente, ele se dedica, juntamente com sua equipe, a criar conteúdos que ajudam seu público a entender bons hábitos para viver mais, e ele inclusive lançou um livro sobre isso. Dr. Barakat seguiu o mesmo caminho e ambos compartilham sua rotina nas diversas mídias que utilizam, cada uma de um jeito diferente. No Snapchat é possível assisti-los em seus consultórios quando eles compartilham histórias de pacientes que tiveram progressos após adotar uma alimentação saudável e até mostram sua rotina de atividades físicas e seus hobbies.

Importante frisar que nenhum deles realiza consultas a distância, elas seguem acontecendo em seus consultórios, que tem longas filas de espera devido ao sucesso dos profissionais.

BARAKAT

 

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É propaganda de sabão em pó, mas não parece

Ao invés de fazer um vídeo mostrando o poder de clareamento de roupas que um sabão em pó pode ter, Ariel fez diferente. E aqui eu não preciso dizer muita coisa, assista. No Youtube o vídeo possui mais de 600 mil visualizações e versões em outros idiomas percorrem perfis e páginas de Facebook, gerando milhares de compartilhamento e envolvimentos.

 

A empresa de exploração de petróleo e gás que inovou

Payson Petroleum, uma empresa de exploração de petróleo e gás que nem é tão grande assim se comparada à Shell ou a Statoil, por exemplo,  apostou em chamadas para atrair investidores e em estratégias inovadoras.

Eles se posicionaram como educadores e especialistas na área. Criaram um aplicativo que traz atualizações sobre o mercado de commodities e que mantém investidores e interessados em petróleo e gás sempre atualizados, com previsões de preços, notícias do mercado e calculadoras de investimento. E eles estão em vários canais e apostam em marketing de conteúdo para alcançar resultados.

O canal no Youtube tem vídeos relacionados com a área do negócio, perguntas e respostas providenciadas pelo CEO e o diretor de relacionamento com o cliente, que é chamado de “Jenny”, e um blog no qual escrevem conteúdos sobre o que a empresa está fazendo, materiais educativos e notícias do setor. Existe uma página com perguntas frequentes, destinada às perguntas comuns e outra com o objetivo de educar os visitantes. E em todos os posts existem chamadas para atrair novos seguidores para suas outras mídias sociais. Eles estão ajudando o público sem pedir nada em troca, é a melhor maneira de criar confiança e engajamento. Isso é marketing de conteúdo.

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Não é só B2C, B2B também precisa muito de marketing

Parece difícil fazer marketing para algo que nem sempre está visível no produto. Um processador de computador, por exemplo, que fica escondido lá dentro. Quando a Intel passou a colocar adesivos nos computadores “Intel inside”, criou na mente dos consumidores a lembrança e a percepção de que dentro daquele computador existia algo valoroso.

O que funciona então?

Outro dia alguém me ligou querendo meus serviços de marketing para uma empresa de cosméticos. Quando avaliei a página do Facebook deles percebi que só existiam posts com gatinhos, bom dia/boa tarde/boa noite ou fotos de produtos com frases clichês e promessas de que eles eram ótimos. Acho que nem preciso dizer que não estavam usando o canal de forma correta. Não sabiam com quem estavam falando, nem o que postar.

Não é preciso ser gigante ou ter um mega orçamento

Se ao pesquisar o nome de seu negócio você só encontra informações como endereço, telefone e site, você tem um problema. Você está atraindo apenas pessoas que sabem exatamente o nome de sua marca e buscaram por ela. E os que não sabem? E os que não confiam em você porque estão ouvindo falar do negócio pela primeira vez?

É claro que para um trabalho profissional é melhor ter alguém expert na área cuidando da estratégia de marketing do seu negócio, mas quando falamos em pequenos empresários sem recursos que se aventuram a criar páginas de Facebook e sites, é preciso dizer que pode ser feito um bom trabalho em grandes orçamentos, desde que se saiba com quem falar, que se é B2B e precisa vender para outra empresa, também não pode deixar de falar com o consumidor final que é quem vai querer comprar o produto, que conteúdos explícitos sobre o produto não funcionam mais e que se existir um cuidado na seleção dos conteúdos que serão postados, é perfeitamente possível fazer marketing com poucos recursos.

Quais são as objeções de seu cliente?

Para saber que tipo de conteúdo você precisa criar em blogs e mídias sociais é essencial compreender o que separa seu potencial cliente de comprar de você. Sempre existem objeções, como “será que serve em mim?”, “funciona pro meu tipo de pele?”, “e se não servir?”, “quem já usa esse serviço ou produto?”, “qual a diferença entre os pacotes ou versões?”. Transformar esses objeções em posts de blog vão educar seu cliente, fazê-lo uma referência na área e ajudar a vender mais, afinal, em uma época onde existe excesso de conteúdos e concorrência, é preciso destacar-se para não se tornar mais uma empresa em que ninguém confia.

Não importa o tipo de negócio, por meio de conteúdo direcionado ao público-alvo certo é possível tornar a marca relevante, educar o mercado e obter resultados.

Flávia Gamonar
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