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Empreendedorismo
Da sala de casa aos R$14 milhões de faturamento: Andreia Pascale e a Baummer Semijoias

A história da Baummer Semijoias começa na sala da casa da família na cidade de Bauru-SP, há 30 anos, tendo Sérgio Pascale como dono. Na época, não resistiu à concorrência com as peças que vinham da China e logo a família decidiu mudar de ramo. Mas Andreia Pascale, filha de Sérgio, decidiu retomar o negócio para que pudesse pagar sua faculdade de Letras e ajudar a família. Após se casar e mudar de estado, se viu de novo sem renda e desmotivada e foi aí que a nova fase da loja começou. Era a hora do tudo ou nada. Junto com o marido, apostou no tudo e da casa da família a Baummer passou a ter 27 lojas, 120 funcionários e um surpreendente faturamento anual de R$14 milhões. Conheça essa história empolgante de empreendedorismo!

Tudo começou há trinta anos, quando Sérgio Pascale fundou a Baumer (na época com apenas um M). Os tempos eram outros e o modelo de negócios diferente, eles se focavam na revenda de bijuterias. Andreia Pascale, uma de suas filhas, nasceu e cresceu nesse universo, que inicialmente se limitava a uma pequena fábrica e um escritório de atendimento na casa da família.

Sérgio sempre incentivou que Andréia e suas irmãs trabalhassem no negócio e até seus dezoito anos sua vida eram as bijuterias e o trabalho na Baumer. Ela era responsável desde a preparação dos produtos, até o atendimento de revendedores. Em 2001, auge do setor de bijuterias, a tendência do ouro velho se disseminava pelo país e as vendas eram incríveis. Foi nesse ano que Sérgio conseguiu modernizar a fábrica, construir uma casa e montar uma rede de revendedoras atacadistas. Entretanto, infelizmente houve um revés. Em 2008 o setor encontrou a China como sua grande vilã, com preços impossíveis de se competir. Várias fábricas quebraram, não conseguiam lidar com aquele novo cenário.

Apostando em um novo segmento

Sérgio não quis pagar para ver e antes que o pior acontecesse decidiu mudar de ramo, apostando no segmento têxtil. Foi uma época de insegurança e confusão para Andréia, que na época estava com dezoito anos. Eram poucos clientes, um funcionário, um pequeno estoque e uma sala desocupada. Então,  Andréa propôs ao pais assumir a Baumer e utilizar a receita para pagar o funcionário, seu salário e sua faculdade de Letras, a qual havia acabado de começar. Na época, ela não tinha nenhuma noção de administração, mas conseguiu levar o negócio de forma satisfatória e atendia ao que se propôs. Era possível, inclusive, disponibilizar capital para a empresa têxtil, cujos resultados não iam bem.

Em 2009, Sérgio decidiu fechar a empresa têxtil por conta muitas despesas com rescisões trabalhistas e dívidas acumuladas pelo investimento do novo negócio. Recomeçou do zero, atuando, desta vez, no segmento de semijoias.  Eram então ele, a esposa e Andreia, mais uma vez trabalhando em casa. A ordem era economizar e trabalhar com o que tinham.

Andreia e sua mãe trabalhavam na recuperação do estoque de peças, fazendo reparos necessários e Sérgio atendia clientes antigos na região e também prospectando novos. Sua veia comercial era muito forte e logo conseguiu retomar sua carteira de clientes. As coisas estavam finalmente melhorando e eles logo conseguiram alugar uma sala comercial e contratar dois funcionários. Na época, Andreia se desligou um pouco do negócio para buscar trabalho em sua área de estudos, contra a vontade de seu pai, porque na verdade seu desejo era que ela tivesse cursado administração de empresas.

Mudando completamente de rumo

Decidida a trabalhar em sua área de formação, Andreia conseguiu estágio em uma escola particular e em outra escola ministrava aulas de Português. Passou um ano estagiando e seis meses lecionando enquanto seguia com seu curso de graduação à noite. Mas bastaram alguns meses para ela entender que não era apaixonada por aquele assunto. Em 2010, um conflito com alunos indisciplinados a desestabilizou emocionalmente e gerou uma ansiedade generalizada, tornando o período difícil para sua vida pessoal e profissional. Andreia se pegou desmotivada e longe de seu namorado, Leonardo, que morava a 670 km de distância, que também não se sentia completamente realizado em sua vida profissional.

Nesse período a Baumer voltava a fazer sucesso com suas novas mercadorias e foco em revendedoras de varejo. Foi então que ela decidiu formar uma rede de vendedoras, pessoas que ela conhecia e em quem confiava, dessa forma conseguiria ganhar comissão sobre as vendas que elas fizessem. No começo eram duas, depois a equipe aumentou e o resultado a empolgou ao ponto de deixar as escolas em que trabalhava para focar no atendimento às vendedoras. “Esse novo cenário gerou uma enorme vontade de crescer, algo que nunca havia sentido antes”, conta Andreia.

O casamento e um novo recomeço: a primeira loja da Baummer Semijoias

Um ano depois, em 2013, Andreia se casou e foi morar em Campo Grande, cidade do marido. Embora ele tivesse um excelente currículo por já ter tido sua própria empresa e experiência com gerenciamento de projetos, não se sentia completamente realizado em sua vida profissional. Andréia estava sem emprego e sem a mínima vontade de voltar a atuar na licenciatura.

A ideia de abrir um primeiro quiosque de semijoias em um shopping de Campo Grande surgiu de Leonardo. Mas para Andréia, de perfil pé no chão, isso parecia uma grande loucura e demorou quase dois meses para então decidirem partir para o tudo ou nada. Eles não tinham dinheiro, mas seu cartão de crédito possuía um limite alto e apesar de os juros serem um perigo, eles decidiram arriscar para começar.

“Costumo dizer o acaso foi o nosso grande aliado, pois se o Léo tivesse num trabalho que ganhasse mais e eu tivesse arrumado um emprego, não teria coragem de abrir mão de tudo pelo duvidoso. Que bom que aconteceu tudo dessa forma!”

A primeira ação foi fazer uma planilha no Excel com as estimativas de gastos desse projeto até então sem nome. Mas assim que as coisas começaram a acontecer perceberam que seus cálculos estavam super equivocados. Eles imaginavam gastar no máximo R$9.000,00, mas os custos foram além.

O próximo passo era encontrar um ponto no shopping da cidade e eles imaginavam que isso seria tarefa fácil. Depois de algumas ligações descobriram como seria difícil e que contar que não se tratava de uma franquia dificultaria tudo para eles. O shopping alegava que o mix já estava saturado e Andréia e Leonardo desanimaram vendo a ideia ir pelo ralo. Mas eles não desistiram, tentaram outro shopping, desta vez focado no público B e C e finalmente conseguiram marcar uma entrevista para apresentar o projeto. Mas opa, eles sequer tinham o projeto ainda e aí começou a correria!

Escolheram o nome Baummer para continuar a história da empresa de seu pai, mas agora com um M a mais. Como a área de formação de Leonardo era desenho industrial, ele desenhou o primeiro modelo de quiosque da loja. Finalmente o projeto arquitetônico foi pensado considerando o que gostariam que a Baummer fosse: cores mais sóbrias para dar um ar de requinte e sofisticação, bastante iluminação para destacar os detalhes das peças e principalmente fácil acesso aos produtos, dando autonomia ao cliente, criando um ambiente propício para uma boa experiência de compra.

Era apenas o começo de uma longa jornada. Agora era preciso criar um conceito de categorização e exposição dos produtos. A ideia inicial era trabalhar por linhas, uma vez que já sabiam que o perfil da Baummer seriam peças clássicas e atemporais. Então, Andréia foi até Bauru e selecionou as peças que se enquadrariam no perfil que buscava. Sem capital, consignou a mercadoria e durante uma semana se dedicou a pensar a melhor forma de exposição daquelas peças no quiosque. Leonardo trabalhava em outra empresa e só tinha o horário do almoço para se dedicar ao novo projeto. Andréia muitas vezes esteve só, completamente dedicada enquanto o marido conciliava a dupla jornada.

Outro desafio era organizar a catalogação dos produtos no sistema. Decidiram trabalhar com pasta de imagens numeradas e planilha de Excel, pela qual calculavam o custo, os encargos, o markup de cada produto e a criação de referências. Escreviam manualmente a referência e o preço de cada produto, tudo do zero, sem experiência com aquele novo negócio. A abertura do CNPJ levou um tempo e isso gerou aflição, além disso, compraram um sistema que não os atendia, era muito complicado e burocrático e o cadastro de peças não evoluía. Outro problema é que não conseguiriam a maquineta de cartão de crédito a tempo.

“Cotei tudo em todos os lugares possíveis para obter o melhor preço, parcelamos tudo que foi possível no cartão de crédito em 12x e utilizei o dinheiro que havia sobrado para pagar o primeiro aluguel do shopping antecipado: a sorte estava lançada!”, revela Andreia.

Era maio de 2013, a segunda melhor data no comércio, por conta do dia das mães e o plano era aproveitar e abrir antes. Mas devido uma série de imprevistos, como atraso do marceneiro e entrega de embalagens, isso não foi possível. Passaram a noite em claro montando a vitrine com a ajuda de algumas pessoas e finalmente conseguiram inaugurar no dia 5 de maio de 2013, “um domingo chuvoso de muito medo e apreensão”, conta.

“Tiramos a lona do quiosque e naquele momento sabíamos que era tudo ou nada. Por uma hora, poucas pessoas pararam no quiosque, muitos curiosos, que tinham acabado de chegar no shopping, que estavam indo almoçar. Foi então que a primeira pessoa parou. De repente mais uma, outra. E quando vimos, o quiosque de seis metros quadrados estava rodeado de clientes!”

No atendimento, Andréia, Leonardo e sua mãe. Não existia padrão algum, a máquina de cartão não havia chegado e Leonardo, sem nenhuma experiência na área, chamava colares de “coleiras”, conta Andréia. Mas eles estavam confiantes, sentiam como se fosse a final de um jogo e se esforçavam para dar seu melhor.

Aos poucos, os clientes gostaram das peças e até iam sacar dinheiro para comprar. E compravam muito, injetando ânimo naquela família que parecia finalmente se encontrar no novo negócio. A animação era tanta, que no segundo dia do negócio Leonardo pediu demissão do trabalho para se focar na Baummer. Aos poucos, eles descobriram a melhor forma de atendimento ao cliente, abordagem, particularidades nas vendas e melhores dias. Durante três meses trabalharam duro na linha de frente, das 10h às 22h, todos os dias.

Inaugurar o negócio em maio foi uma ótima decisão na opinião de Andreia, já que o mês tinha histórico de boas vendas por conta do dia das mães. Mas passado aquele primeiro mês de euforia, novos desafios chegaram. Eles precisavam se afastar um pouco da operação e pensar no gerenciamento, no marketing e no reabastecimento dos produtos. Contrataram, então, uma funcionária para trabalhar por meio período. Logo depois, trouxeram o irmão de Leonardo, Leandro, que tinha bastante experiência em varejo e habilidade com as vendas. Sua função era gerenciar o quiosque do Norte Sul, permitindo que Andreia e Leonardo trabalhassem no quiosque durante a semana das 18h às 22h e aos finais de semana. Semanalmente Andreia ia para Bauru buscar peças novas, analisar os produtos necessários, etiquetá-los, cadastrá-los e colocá-los na vitrine. As vendas cresciam e logo apareceram as primeiras pessoas interessadas em uma franquia.

Inaugurando novas lojas

Em agosto, um novo shopping inaugurou em Campo Grande e lá, inauguraram seu segundo quiosque a convite do irmão de Leonardo, que ficaria 100% focado na operação junto com uma funcionária. E para a alegria deles a nova unidade se mostrou um sucesso, obtendo resultados de vendas incríveis. Eles tinham duas lojas ao mesmo tempo e muita empolgação.

Em 2014 eles ainda pagavam os investimentos que haviam feito, quando decidiram focar nas vendas e aprimoramento e deixar a expansão para outro momento. Mas uma oportunidade mudou os planos, eles abriram uma terceira unidade no WalMart da cidade. E pela primeira vez tiveram que aprender na raça a lidar com situações novas, como problemas com funcionários.

Em 2015 o plano era crescer e começaram a negociar com um shopping do centro. Concomitantemente, fecharam contrato com o Shopping Campo Grande, o principal da cidade. Mais duas novas lojas, totalizando cinco em um curto espaço de tempo. O trabalho era tanto, que Andréia começou a se sentir sobrecarregada, pois cuidava sozinha do abastecimento, cadastro e visual merchandising de todas as lojas, mas não se sentia segura e nem sobrava tempo de idealizar um projeto em que eu pudesse delegar funções.

No final de 2016 um cliente antigo da unidade Norte Sul os procurou e propôs tornar-se um franqueado. A tentação era grande, mas eles tinham receio por ser algo novo, não existiam processos bem estabelecidos no negócio ainda para que ele desse esse salto e se tornasse uma franquia operada por alguém de fora da família.

Uma nova unidade foi aberta dentro de um supermercado de grande circulação de Campo Grande e naquele momento contabilizaram 6 lojas na cidade.

“Chegamos então novamente ao ponto: TUDO ou NADA! Devido a questão de logística, decidimos nos mudar para Bauru e montar a BMR Franquias, que nasceu na sala de jantar de casa, sem processo, mas com as lojas vendendo muito bem. O ano de 2016 foi um ano de grande reviravolta para a Baummer.”, conta Andreia.

Para crescer, apostaram em duas de suas melhores vendedoras e propuseram que elas os ajudassem em uma nova etapa. Elas gerenciaram as lojas fora de Campo Grande, em Cuiabá e Brasília. E foi assim que inauguraram a sétima e a oitava loja da Baummer, agora em outros estados.

Os números impressionantes da Baummer

Andreia e Leonardo passaram, então, a se focar na distribuição e aprenderam tudo sobre o processo, desde a emissão de nota fiscal, até como trabalhar o relacionamento com os franqueados. Finalizaram o ano de 2016 com 15 pontos de venda em todo Brasil, passaram pelo período “crítico” do natal atendendo todas as lojas e mantendo os bons resultados.

No ano de 2017 o foco do negócio era a expansão e no primeiro semestre abriram mais 10 quiosques e 2 centros de distribuição. Hoje a Baummer está presente em nove estados, totalizando 27 pontos de vendas em todo Brasil, com mais de 120 funcionários e um faturamento de 14 milhões de reais por ano. Paralelamente a isso, formaram uma equipe engajada e altamente comprometida em fazer da Baummer a maior rede de semijoias do Brasil.

No segundo semestre, seu objetivo é consolidar consolidar as operações e os processos para dar suporte a um crescimento ainda maior em 2018.

Estamos construindo os alicerces de uma empresa que não para de crescer e tenho certeza que a equipe BMR franquias estará preparada para todos os desafios que virão pela frente.

Flávia Gamonar
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