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De empresas à enchentes: como a tecnologia e a análise de dados ajudam

A Cidade de Buenos Aires pode responder aos alertas de cidadãos e sensores em tempo real – e antecipar o que vem depois – tudo isso usando uma tecnologia robusta para ter uma uma cidade verdadeiramente conectada. Uma cidade inteligente. E este é apenas um exemplo de como a tecnologia e a análise de dados podem transformar. Continue lendo e descubra como.

Na história da inovação pudemos acompanhar diversas empresas que, acreditando estarem consolidadas em seus setores, acabaram por não se reinventar a tempo.Isso aconteceu com a Kokak, que durante anos disputou com a Fuji a hegemonia do mercado de filmes fotográficos. A Kodak inventou a câmera fotográfica digital, mas não aproveitou a grande chance que teve nas mãos. Já Fuji, superou a crise e percebeu, antes que fosse tarde, que acontecia um desaquecimento no mercado de fotografias e apostou em outros produtos. Outra grande lição da empresa foi não ter apostado em um só produto, além do ramo de fotografia, a empresa criou produtos como telas de LCD e se transformou em fornecedora para outros equipamentos. A Fuji também soube investir em empresas inovadoras e investiu bilhões em aquisição de empresas e startups.

Estes são apenas exemplos de que as empresas precisam se reinventar, se transformar digitalmente. Em muitos casos, sem essa visão ampla e estratégica, mesmo uma grande e consolidada marca pode vir às ruinas.

Esses dias eu estava lendo na revista de bordo da Azul sobre como Edgard Corona, dono do grupo Bio Ritmo inovou no mercado fitness com a Smart Fit, a maior rede de academias do país, com equipamentos de ponta e mensalidade baixa. Abriu sua primeira academia em 1996, ao deixar uma usina. Achei surpreendente ele contar que poderia canibalizar a própria Bio Ritmo, mais cara, mas que se ele não fizesse isso lançando uma opção mais barata, alguém faria. Este ano devem inaugurar 140 unidades. A ideia nasceu de uma conversa com atendentes de um café, que pediram uma academia e que pudessem pagar ate R$79,00. Assim nasceu a Smart Fit. Os equipamentos são de ponta, a diferença ficou no projeto, otimizado para o público que malha em horários apertados e não vai à academia para bater papo, por isso não precisa de espaços de lazer e sofás. por exemplo. Os meios de pagamento também foram otimizados, gerando um custo de gerenciamento bem menor. Ler entrevistas assim nos mostram muito sobre planejamento, visão estratégica e de como a tecnologia também fez parte do projeto de transformação e permitiu diminuir custos. É sobre se reinventar antes que o pior aconteça.

Algumas das grandes ideias que conhecemos, surgiram de momento completamente impensados, como foi o caso do AirBnB, uma plataforma web para encontrar hospedagem. O site inicial foi criado em 2008 por estudantes de design chamados Nathan Blecharczyk, Brian Chesky e Joe Gebbia, que sem dinheiro para pagar o aluguel do apartamento onde moravam decidiram alugar espaços dentro de seu apartamento. Na ocasião acontecia uma conferência de designers na cidade e grande parte dos hotéis da região estavam com lotação completa.

Em apenas uma noite, os designers desenvolveram a primeira versão do site de hospedagens. O AirBnB se tornou uma das principais plataformas de oferta de hospedagens do mundo e hoje compete com hotéis. A empresa teve seu valor estimado em US$1 bilhão, um dos fatores que levaram a isso é o fato de se tratar de uma organização exponencial, ou seja, como não dependem de ter quartos próprios para aluguel, o céu é o limite para seu crescimento. E quando isso acontece, talvez seja tarde demais para que seus concorrentes se reinventem.

Todo tipo de negócio precisa estar atento ao que acontece no mercado e tentar estar a um passo à frente, porque pode precisar se ajustar rapidamente ao fluxo corrente em sua indústria. E na era digital isso é ainda mais preocupante, porque o ritmo da transformação é tão rápido, que as mudanças repentinas podem varrer negócios que até iam bem.

Atualmente, até serviços financeiros foram reinventados. Tudo começou com o entendimento de que as coisas podiam ser diferentes, até então levadas de uma maneira tradicional, conservadora, burocrática e sem novidades. Então, surge algo que era um bálsamo contra a antipatia existente com bancos. Nubank trouxe uma nova experiência para clientes de serviços financeiros e começou a preocupar bancos, que por sua vez, meses depois tentaram correr atrás atualizando suas equipes, modelos de negócios e aplicativos.

Mesmo o setor de seguros, altamente regulado, também se viu diante de novidades que balançaram o mercado nos últimos meses. Enquanto muita gente estava reinventando a roda ao tentar criar algo extremamente novo, alguém se dedicou a repensar a forma de contratar seguros. Sugiram então as insurtechs, empresas focadas em oferecer um novo jeito de se contratar seguros: direto de um aplicativo, de forma personalizado, com preço mais justo, por exemplo. E esse avanço não parou por aí. Já que agora temos tantos dados sendo gerados, eles seriam usados para permitir uma contratação de seguros mais rápida e também para formular um preço de acordo com o perfil do motorista, visto que seu smartphone, que o acompanha no dia a dia, podia ser um parceiro e gerar esses dados enquanto seu dono dirige.

Novos meios de pagamento surgiram, moedas nunca antes pensadas foram criadas e chegaram a valer muito mais do que o dinheiro como qual estávamos acostumados. Empresas focadas em oferecer experiências digitais atraentes aos clientes se tornaram parrudas, irresistíveis. Todas essas mudanças também levaram a transformações nos hábitos diários das pessoas, que podem impactar de diversas formas. Há alguns anos os serviços bancários só poderiam ser feitos nas agências, hoje quase tudo é resolvido por um aplicativo ou pelo telefone, e isso impacta em tecnologia, em emprego. O Uber surgiu e balançou os táxis, que o viu como inimigo. Se sentiam consolidados, mas se viram obrigados a oferecer um atendimento melhor. Mas a história não para por aí, porque os planos futuros do Uber incluem carros autônomos, sem motoristas e quando isso acontecer não serão apenas os taxistas as vítimas, mas todo um ecossistema, afinal, se o transporte se tornar muito barato e muito seguro, as pessoas deixarão de querer ter um carro próprio, o combustível não será mais consumido porque os carros serão elétricos, montadoras deixarão de ter sentido e muitos empregos deixarão de existir.

A inovação pode assustar em alguns casos. Aliás, na história da inovação foram vários os momentos em que uma novidade colocou um mercado em pânico e muitas vezes o que se viu foi quase uma passeata para que aquilo fosse impedido de continuar.

O caminho não é esbravejar e tentar impedir a inovação, mas se precaver, transformar-se, modernizar sua infraestrutura, seus processos conservadores e burocráticos. O esforço para oferecer melhores serviços será essencial em meio a uma concorrência intensa e uma escolha cada vez maior do cliente, que está cada vez mais exigente.

Com a era digital não existe mais nenhum negócio estável, o caminho é a constante inovação. Processos manuais e repetitivos serão automatizados, sempre que possível. Diversos tipos de robôs já executam ações que antes eram realizadas por humanos.

A tecnologia avançou tanto, que até mesmo análises sobre perfis, que antes seriam manuais, agora são realizadas de forma automática, olhando para um montante de dados e fazendo-os ter sentido. Um novo mundo repleto de informações permite que as instituições ajam de forma mais assertiva, porque elas podem analisar a fundo o que está acontecendo e tomar decisões melhores.

Quer um exemplo disso? Até as cidades já podem ser gerenciadas apoiando-se em tecnologia de ponta. Uma tecnologia da SAP ajuda a cidade de Buenos Aires a combater enchentes e, assim, torna-se o que conhecemos como uma “cidade inteligente”.

Como isso é possível? O governo da cidade decidiu explorar as novas tecnologias digitais, o big data e a internet das coisas. Eles adotaram a solução chamada Plataforma SAP HANA e SAP Mobile para a gestão urbana. Desde que foi fundada, a cidade sofria com chuvas torrenciais e as inundações se tornaram um grande problema. A cidade padronizou seus processos de manutenção e por meio de centros de controle passou a acompanhar tarefas em tempo real, gerenciar fluxos dos trabalhos e analisar dados, de forma que passaram a conseguir entregar a informação certa, para o departamento certo. Para isso, um CRM foi implementado para esse gerenciamento. Depois, um aplicativo móvel ajudou no trabalho dos fiscais que trabalhavam nas ruas, de modo que passaram a dar entrada e processar dados dali mesmo, tomando decisões melhores e em tempo real.

Além de tudo isso, conseguem gerenciar recursos usados na manutenção de mais de 700.000 ativos, incluindo ruas e luzes, parques, paradas de ônibus, sistemas de drenagem, edifícios e pontes. As inovações adotadas pela cidade a ajudaram a ter uma gestão mais eficiente, simplificou operações e melhorou a qualidade de vida das pessoas, um ótimo exemplo de como a tecnologia pode ser usada de modo integrado e realmente inteligente.

Está mais do que na hora de manter o radar ligado e não esperar ser pisoteado. Transformar-se não é mais uma escolha, mas uma necessidade.

Flávia Gamonar
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