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Empreendedorismo
Allan costa, o cara que deu adeus a um alto cargo para empreender

Aos quarenta anos ele largou um cargo executivo incrível para empreender, apostou em negócios paralelos que não deram tão certo como imaginou inicialmente, mas logo aprendeu a ter foco e fez de sua empresa um case. E no meio de tudo isso ainda lançou um livro que começou a ser escrito sem nenhuma pretensão e que se tornou um sucesso. Conheça a história e as lições de empreendedorismo de Allan Costa.

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Allan Costa atualmente trabalha em seu negócio próprio, a “Allan Costa Palestras e Consultoria”, focada em entregar conhecimento e conteúdo no formato abordando temas ligados a empreendedorismo, inovação e liderança, e provimento de serviços de consultoria em inovação, modelos de negócio e novas tecnologias. O negócio foi iniciado em agosto de 2013, mas passou a operar de forma plena a partir de janeiro de 2014.

Os primeiros três anos de negócio foram suficientes para superar os objetivos estabelecidos ano a ano. Só em 2015 cresceu 58% em relação ao ano anterior. Em 2016, cresceu outros 23%, mesmo o país vivendo um cenário conturbado na economia. E parece que ninguém é capaz de pará-lo, até julho de 2017 o faturamento do ano já superou o do ano passado todo e agora ele projeta um crescimento de 50% em relação a 2016.

Abrindo mão de um alto cargo para empreender

Nem sempre a vida profissional de Allan foi assim. Sua experiência vem de vinte anos de atuação no SEBRAE do Paraná. Destes anos, sete foram dedicados ao cargo de Diretor Superintendente, posição certamente invejada por muita gente. Para ele, a experiência no SEBRAE foi essencial, trouxe um conhecimento profundo sobre o mercado de palestras e consultoria. Mas logo ele percebeu que existiam algumas lacunas não preenchidas, as quais ele poderia ocupar.

Para este empreendedor, embora a área de palestras e workshops fosse um mercado bastante povoado, havia uma grande proporção de profissionais que entregavam conteúdo raso, provavelmente um reflexo dos currículos com relativa pouca consistência em termos de formação e experiência dos palestrantes e facilitadores.

No mercado de consultoria, ele percebia uma lacuna na oferta a empresas de médio porte. As empresas pequenas  podiam contar com instituições como o SEBRAE. As empresas grandes contavam com as big five do mercado de consultoria. Mas foi no mercado de médias empresas que Allan descobriu uma grande oportunidade: não existiam ofertas compatíveis com a necessidade de empresas em momento de crescimento, que precisavam de uma visão externa para ajudar a amenizar as dores do crescimento e a sustentar o desenvolvimento desses negócios com ferramentas de inovação adequadas.

Então, o negócio foi iniciado a princípio como um plano B, servia para gerar caixa secundário. Mas conforme ele levava adiante, percebia-se empolgado, sentia uma enorme realização ao exercer aquele trabalho.

Viagem ao Nepal: o início da reviravolta

Em dezembro de 2013 Allan fez uma viagem ao Nepal e lá passou uma semana vivendo com monges no Monastério de Kopan, em Kathmandu. Foi um período de profunda reflexão acerca de seus objetivos de vida, sobre seu propósito e as escolhas que vinha fazendo em sua carreira e vida pessoal. Voltou decidido a realizar seu propósito! Ele queria inspirar e ajudar pessoas a encontrarem seus próprios propósitos e a buscarem sua melhor versão e foi então que passou a se posicionar como “palestrante profissional”, finalmente.

Mas apesar de parecer simples essa mudança, nada foi fácil e as dificuldades que surgiram precisaram ser superadas para que negócio desse certo.

Na época da decisão de apostar plenamente em se negócio próprio, Allan estava realizado financeiramente em seu emprego, mas se sentia infeliz. Percebeu, então, que precisava mudar a régua que utilizava para medir o que considerava sucesso, que até aquele momento significava apenas prosperidade financeira. Outro desafio era fazer aquela mudança de rumo aos quarenta anos de idade depois de trabalhar por vinte anos para uma instituição. Mesmo tendo tanto tempo trabalhado em uma empresa que apoia o empreendedorismo, Allan aprendeu na prática que ser um empreendedor no Brasil exige muito sangue frio, tolerância a oscilações constantes e capacidade de suportar surpresas e adversidade que parecem produzidas em série.

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Viagem ao Nepal em 2013

Abraçando a trajetória empreendedora

Hoje Allan não tem dúvida de que fez a escolha certa, mas os primeiros seis meses depois de deixar o emprego estável e com excelente salário foram de reconstrução. Abraçar a trajetória empreendedora naquele momento, permitiu que ele encontrasse de forma muito clara o seu propósito e trouxe um aprendizado que nenhum de seus diplomas havia dado. Agora, ele acredita que vive uma vida mais plena e autêntica e que é capaz de reavaliar de forma permanente suas prioridades e fazer escolhas mais conscientes.

“Eu costumo dizer que empreender não é fácil. Ao contrário, é muito difícil e definitivamente não é para qualquer um, como tenta muitas vezes fazer crer a mídia que reveste de glamour o empreendedorismo. Mas do outro lado, existem coisas que, definitivamente, só o empreendedorismo pode fazer por você. Autonomia, liberdade, capacidade de criar e construir o próprio futuro de maneira autônoma e buscar uma riqueza que vai além, apenas, da material. Esse caminho, é muito mais viável com a escolha de uma trajetória empreendedora.”

Nesse caminho nem tudo foram flores, muitas coisas deram errado. Paralelamente ao negócio de palestras e consultoria, criou uma agência de palestrantes Inspiradores, pois acreditava que se reunisse pessoas com boas histórias de transformação para contar, construiria um negócio matador. Embora tivesse construído um casting superbacana, formado por pessoas especiais que possuíam belas histórias, ele notou que sozinho não conseguiria conduzir duas empresas ao mesmo tempo. Esse momento o ensinou sobre a necessidade de ter foco e deixar de lado o complexo de de “super-homem ou super-mulher” que as vezes os empreendedores insistem em ter.

“Não dá pra fazer tudo sozinho. A experiência de levar duas empresas ao mesmo tempo só reforçou o que eu já tinha como um valor, de que são sempre as pessoas que fazem diferença na construção de times e negócios extraordinários.”

No meio do caminho outra oportunidade apareceu. Allan se tornou sócio de uma produtora, pois entendeu que havia uma sinergia grande com seu negócio de palestras, visto que a produtora poderia lhe ajudar na produção de conteúdo para mídias digitais. Isso de fato aconteceu, mas a rotina de levar dois negócios revelou-se cansativa demais. Paralelamente a tudo isso, Allan já se via envolvido no mundo das startups, cenário no qual a busca por receita recorrente era grande. Ele, então, se viu dividido entre seus negócios que não tinham perspectiva de recorrência, quando decidiu sair da sociedade e se tornar apenas um cliente da produtora, uma “decisão acertada”, ele diz.

Ajustes no modelo de negócios foram necessários

Na construção de seu negócio de palestras e consultoria Allan precisou ajustar a oferta ao que o cliente queria, de fato. Quando começou o negócio, se posicionou como um palestrante que não tinha temas prontos. Em outras palavras, os conteúdos sempre seriam preparados em cima do briefing dos clientes. Entretanto, logo ele identificou um problema: muitos clientes, preferiam que ele tivesse temas prontos para oferecer, ao menos algo básico para um ponto de partida, que a partir dali poderia sofrer alguma customização. E foi aí que nasceu seu portfólio de palestras, algo que a princípio ele se negava fazer, mas que se tornou seu principal instrumento de venda.

Mas o negócio deu certo desde o começo? Não foi bem assim. Durante vários meses Allan palestrou de graça e em 2013 quase não faturou nada, porque aceitava todo e qualquer convite para realizar palestras. Para ele, essa era a forma de se expor ao público, de entregar o que eu acreditava que teria valor e de avaliar reações e feedbacks.

Apesar de não ter gerado receita neste período, Allan acredita que foi o melhor investimento que fez em seu negócio, porque ali aprendeu muito sobre formato, estruturação do conteúdo, forma de comunicar e expectativas da plateia, o que lhe permitiu ter uma carreira com entregas consistentes e um histórico de, até hoje, felizmente, jamais ter tido feedback negativo de qualquer cliente em 4 anos de operação.

“Se alguém contrata uma palestra minha e não gosta do que recebe, ele nunca mais retorna. Se os clientes continuam voltando, isso é sinal de que estamos atingindo os objetivos.”

A próxima meta de Allan é criar meios de reduzir a dependência do negócio em relação a sua imagem e buscar formas de escalar e de gerar receita recorrente. Um novo projeto prestes a entrar no ar aposta em conteúdo e informação de ponta, nas áreas de economia, negócios, empreendedorismo e inovação disruptiva, no qual existem dois parceiros/sócios de peso. Eles esperam se tornar uma das mais relevantes plataformas de educação nestes temas na internet brasileira.

60 dias em Harvard: o blog despretensioso que virou um livro de sucesso

Allan conta que seu livro, “60 Dias em Harvard”, foi uma grata surpresa. O projeto começou de trás para frente. Em 2010, ele teve a oportunidade de cursar o AMP (Advanced Management Program) na Harvard Business School, tido como um dos melhores programas de formação de executivos do mundo. Para ele, era o auge de sua formação até então, depois de MBA e dois mestrados (FGV e Inglaterra).

“Chegar a Harvard em um programa como esse e durante dois meses viver a experiência de ter aulas com professores como Michael Porter, Clayton Christensen, Robert Kaplan e outros do mesmo quilate, era a realização de um sonho grande, principalmente considerando que quem estava ali era o menino que havia estudado em escola pública lá em Jacarezinho (interior do Paraná)”, ele conta.

Na época, Allan criou um blog para narrar sua rotina naquele curso. Ele escrevia sobre as aulas, cases e lições aprendidas, sempre se mantendo ao seu fiel estilo reflexivo, propondo reflexões aos leitores que o acompanhavam durante aqueles sessenta dias. Para ele era uma forma de fazer com que mais pessoas pudessem ter acesso ao conteúdo que estava estudando.

Então, Allan decidiu fazer um ebook para ofertar gratuitamente em seu site (que permanece sendo ofertado dessa forma). Reuniu o conteúdo do blog, reescreveu algumas partes, transformou em uma espécie de diário e divulgou que em algum tempo o ebook estaria disponível gratuitamente para download. Quando isso aconteceu, a repercussão foi enorme. Muita gente que o acompanhava em redes sociais pedia pela versão impressa. Ele decidiu buscar uma editora para publicar o livro em regime de autopublicação e foi assim que “60 Dias em Harvard” foi lançado em formato impresso e também no formato Kindle para venda através da Amazon. Para a edição impressa escreveu dois capítulos adicionais, acrescentando ao diário de 60 dias um pouco do que aconteceu depois daquela experiência.

Para sua surpresa, no lançamento, a edição digital em formato Kindle pulou para o segundo lugar na lista de ebooks mais vendido na Amazon brasileira (ficando atrás apenas da Startup Enxuta, de Eric Ries). Além disso, no lançamento em Curitiba na livraria da Vila, viu uma fila que não terminava, saindo para fora da livraria, das 18h às 22h, com mais de duzentas pessoas que queriam adquirir o livro e conseguir uma dedicatória, surpreendendo até mesmo o pessoal da própria livraria, que nunca havia visto um lançamento com tanta gente.

“Assim, o livro vai seguindo seu caminho, dando aos leitores a oportunidade de vivenciar, ainda que brevemente, um pouco da experiência de cursar um AMP.”

Allan acredita que a razão de estar recebendo tantos feedbacks positivos se deve ao fato de o livro ser absolutamente despretensioso. A intenção era escrever algo gostoso de ler, mas que, ao mesmo tempo, proporcionasse reflexões profundas sobre aspectos importantes da vida. Além do conhecimento propriamente dito, oriundo das aulas e cases estudados, ele proporciona pausas para reflexão e aí é que está o segredo do relativo sucesso que ele vem fazendo.

Esta certamente é uma daquelas histórias de empreendedorismo que nos inspiram, sem cair no clichê da vida perfeita e das frases prontas.

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Flávia Gamonar
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