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Estratégias de marketing
A volta dos newsletters e blogs na web 3.0

Lembra da web 1.0, aquela em que a gente só podia consumir quietinho o que nos era empurrado? Naquela época não podíamos interagir, comentar notícias, não existiam redes sociais como as que conhecemos hoje. A informação vinha de mão única, líamos e no máximo comentávamos sobre aquilo com pessoas que estavam ao nosso lado, não com desconhecidos do mundo virtual. Ou seja, a informação era predominantemente estática, com baixa interação do usuário.

Logo surgiram espaços como fóruns de discussão e listas de e-mails e nesta época newsletters eram bastante usadas para levar informação a listas de e-mails enormes e muitas vezes não segmentadas. Por algum tempo o e-mail foi forte e até recebíamos aqueles ppts bregas com imagens de paisagens, flores e músicas de fundo para mostrar mensagens bonitinhas.

Ai veio a web 2.0 e muita coisa mudou. Novos espaços, novas ferramentas e a possibilidade de interagir, de comentar, de compartilhar e levar adiante. Surgiram blogs e redes sociais virtuais, nos conectamos a pessoas, pudemos escrever e ouvir o que o mundo dizia sobre um assunto e, finalmente nos globalizamos, quebrando barreiras e limitações geográficas. Nesta nova versão os mecanismos de busca se tornam mais avançados e proliferam, uma vez que não há mais espaço para listas de links em diretórios, devido ao imenso volume de dados.

Conforme as redes sociais foram ganhando espaço, passamos a consumir muita informação por meio delas e fomos acreditando que o e-mail estava morrendo, que ninguém se comunicaria por ele mais. Além disso, ele estava queimado, repleto de SPAM, de informação chata e não segmentada em muitos casos. Mergulhamos em um mar de conteúdos, afinal, qualquer um podia produzir e rechear a internet com eles. E para se destacar passamos a produzir ainda mais conteúdo, mas logo chegou um momento em que as redes sociais viraram espaços poluídos, desgastantes, que levavam à perda de atenção, ansiedade, nem sempre com uma forma de organizar e acessar facilmente o que havíamos entendido como relevante.

Então, voltamos ao e-mail, ao newsletter. Voltamos aos blogs e, se no início eles eram usados como diários virtuais, hoje são ferramentas poderosas para marcas e negócios.

Newsletters voltaram com tudo! E são um espaço para diálogo, leitura mais devagar e focada e curadoria de conteúdos. Mas precisa ser feito do jeito certo para funcionar.

Entre pesquisadores e teóricos há discussões sobre a web 3.0. No mercado o termo é bem usual e estaríamos vivendo este momento, mas entre estes pesquisadores ainda não estamos nesta nova fase. Para outros, a web 3.0 envolve web semântica e reúne as virtudes da 1.0 e da 2.0, mas agora adicionando inteligência às maquinas. Na web 3.0 as máquinas se unem aos usuários na produção de conteúdos e na tomada de ações, com grande capacidade de processamento, alta personalização e democratização da capacidade de ação e conhecimento, por exemplo, como acontece no Google Now, que trabalha com muitos dados, revertendo-os de forma organizada e inteligente ao usuário. Nesta nova versão, o retorno dos newsletters vem junto com uma estratégia mais refinada, adequada e inteligente, agora o envio não é feito de qualquer maneira, podemos segmentar e isso é uso inteligente de dados.

A volta das newsletters e dos blogs

Sim, eles voltaram. Mas deixaram de ser uma mistura desconexa de texto e links que vimos acontecer nas caixas de e-mail por muito tempo. A diminuição do alcance orgânico do Facebook também colaborou para este retorno, os investimentos em mídia paga para atrair tráfego precisaram ser revistos, os blogs viraram coração de estratégia, espaço onde o relacionamento começa, mas é no e-mail que os diálogos tem acontecido.

Newsletter bom não pode mais ser jornalzinho, tipo boletim de papel.

Nossas caixas de e-mails ainda estão abarrotadas de mensagens não solicitadas, mas a inteligência de várias ferramentas já tem nos livrado de bastante SPAM que ainda chega até nós.

Agora, os newsletters precisam ter conteúdo segmentado, breve, mensagens projetadas para leitura mais rápida que abram o apetite para que o leitor queira ler mais.

Precisa existir uma mensagem principal, expressa de modo conciso e alguns links e call-to-actions para levar a um próximo passo, a uma ação.

O inbound marketing também contribuiu para esse retorno triunfante. A metodologia usou as mídias sociais para chegar ao público, mas o objetivo maior era levar este potencial cliente ao blog, um território próprio e controlável pelos negócios, diferente das redes sociais alugadas e repletas de termos de uso e modelos de negócios que do dia para a noite podem ser modificados e impactar negativamente uma estratégia, isso sem falar no alcance orgânico baixo, para incentivar o uso de compra de mídia para aparecer.

Blogs são terra própria. E em terra própria é possível saber o que o visitante está fazendo, de onde ele veio e ajudá-lo a obter informação relevante para avançar nesta trilha e decidir-se por um produto ou serviço por exemplo.

Só que agora é preciso produzir conteúdo relevante para ser lido, estamos trocando o “compre” pelo “leia mais”, de modo que não se queira apenas vender desesperadamente, mas informar sobre algo que gere interesse no público.

Agora, os produtores de conteúdo tem apostado neste tipo de comunicação (por e-mail) para falar com seu leitor, que está preferindo deixar de lado a abundância de informação que desconcentra em mídias como Facebook e Twitter. E-mails permitem conversas mais significativas e longas. O próprio e-mail marketing foi reinventado, ninguém mais espera que a compra de listas de e-mails frios para envio de publicidade explícita funcione (pelo menos não os espertos e antenados) e já se sabe que enviar SPAM é gastar dinheiro a toa e queimar sua imagem na internet. É preciso construir listas segmentadas, a partir de usuários que deram permissão para você falar com ele porque de alguma forma confiaram em você. Mas se você pisar na bola, ele vai clicar no opt-out, cuidado.

“Um e-mail pode vir em um tempo previsível do dia e em um comprimento limitado, por isso é algo que as pessoas conseguem gerenciar em uma época de sobrecarga de informações”, diz Gideon Lichfield, editor sênior da Quartz, cujo boletim tem 110.000 assinantes.

Uma das características mais importantes de um newsletter bem -sucedido é que ele tem uma voz pessoal muito forte, você sabe o que esperar dele e ali existe um espaço bem bacana para fazer uma curadoria do que é interessante para o público que se deseja alcançar, o que faz com que o leitor sinta como se aqueles conteúdos tivessem sido escolhidos para ele.

Newsletters voltaram, mas só vão funcionar bem se forem usados de uma forma inteligente e relevante. Comece a reparar em quais e-mails você clica, quais você abre, geralmente são de pessoas que você considera confiável e relevante, alguém que realmente parece um humano escrevendo para outro humano do lado de lá da tela. É nesse exemplo que você tem que se basear 😉

Flávia Gamonar
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